Ainda somos muito broadcast

Recentemente, teve lugar uma das maiores festas da publicidade e da audiencia mundiais. Como acontece todo ano, o Superbowl domina as televisões norte-americanas, e muito se pode observar na área da mídia, especialmente a digital.

As estatísticas sobre a movimentação nas mídias digitais já borbulham. De acordo com o Mashable, que cita uma agência de marketing como fonte, as discussões online (levado em conta o período das doze horas subsequentes ao início do jogo) sobre os comerciais que apareceram no intervalo do Super Bowl aumentaram em 9%, em comparação com o ano passado.

O comercial Detroit/Eminem foi o que gerou mais comentários no Twitter, de acordo com o Trendrr, ferramenta de análise de mídias sociais. O Superbowl representou, inclusive, um novo recorde na rede: maior número de tweets por segundo em um evento sportivo. Às 10h07min16seg, próximo ao fim do jogo, foram postados 4064 tweets. Já a rede baseada em localização Foursquare não quis ficar de fora. Pensou em estratégias específicas, como Badges especiais e uma integração com a loja da NFL.

Em meados da década de 90, Nicholas Negroponte antevia as mudanças que as redes de computador trariam à televisão e aos hábitos dos telespectadores. O horário nobre perderia importância e, cada vez mais, cada um faria a sua grade a sua maneira, com as suas preferências ressaltadas, nos horários mais adequados. Aqueles interesses específicos que canais generalistas não atendem, salvo raras vezes, poderiam ser satisfeitos através da Internet. De fato, a Internet modificou muito o modo como assistimos à televisão, e transformações podem ser vistas. Os dados de visualização de vídeo online só crescem. Serviços de locação virtual, como Netflix, fazem sucesso, e o público, principalmente o mais jovem, acaba deixando de lado a televisão tradicional algumas vezes.

Com base nestes padrões, muitos já anunciaram o fim da televisão aberta e das atrações ao estilo broadcast. Mas, como vemos através do Superbowl, o broadcast segue forte. Se pegarmos o exemplo brasileiro, veremos que as novelas globais são temas dos mais discutidos no Twitter e assistidos no YouTube.

A Social Media Week (um dos maiores eventos sobre mídias sociais do mundo, que acontece em diversas cidades simultaneamente incluindo, nesta edição, São Paulo), que se encerrou neste dia 11, trouxe mostras desta influência. Pesquisa da agência de publicidade JWT mostrou que as discussões das mídias sociais são majoritariamente pautadas pela tradicionais. O contrário não é verdadeiro, apesar de as mídias digitais serem um termômetro sobre o que a população está pensando e falando.

Maurício Mota, da empresa de transmedia storytelling Os Alquimistas, defendeu a harmonia entre os diferentes tipos de mídia durante palestra no RBS Debates, na PUCRS, em setembro. Os Alquimistas é uma empresa especializada em contar histórias e entregá-las nas mídias mais apropriadas. O trabalho deles é entender sobre o poder e as propriedades de cada uma, seja um comercial em horário nobre no intervalo do Jornal Nacional ou uma ação no Foursquare em uma região da cidade. Sabem que não é o Twitter nem o Facebook quem vai salvar o mundo, muito menos a televisão aberta. Tudo são mídias, cada um com suas características.

O Superbowl é um ícone do broadcast, do bom e velho “horário nobre” na televisão. A rede faz, sim, com que os usuários possam procurar seus interesses específicos, mas precisamos, além disso, conversar sobre algo em comum. É a sociabilidade do ser humano exposta através da mídia que ele consome. Receber o conteúdo que o resto da sociedade também recebe traz a sensação de comunidade. É interessante observar Twitter e Foursquare, por exemplo, se integrando com estas atrações. Ao observar o futuro das mídias e da sua relação com a Internet, não se deve diminuir o peso das tradicionais (embora uma plataforma possa, sim, extinguir a outra). A palavra é harmonia. Quem entende isto está um passo a frente na acirrada corrida do entretenimento e da mídia.

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