Google X Apple mais uma vez

Temos mais um gigante na briga da distribuição de conteúdo online. Após o anúncio de assinaturas que a Apple disponibilizou para conteúdos de revistas e jornais através de sua loja de aplicativos, que foi feito juntamente com o The Daily, o onipresente Google resolveu lançar o seu modelo.

A empresa de busca de Mountain View anunciou na Universidade Humboldt o Google One Pass. Estavam presentes representantes de empresas alemãs de mídia, incluindo a gigante Axel Springer, a maior da Alemanha e uma das maiores da Europa. Desde 2009, o Google já vinha planejando uma ferramenta para assinatura de conteúdo, em razão das experiências com o Google News. Agora, o One Pass surge em um momento de roubar território do recém-nascido plano da Apple.

Mas falemos do sistema da casa da maçã antes. A principal reclamação sobre o sistema da Apple foi o preço. A empresa de Cupertino recebe 30% de cada assinatura feita. Em troca, oferece o sistema e a infraestrutura relativos à distribuição de conteúdo e ao pagamento. É um preço alto, mas, em contrapartida, o serviço é bom e tem o respaldo de quem já vendeu mais de 160 milhões de dispositivos com o iOs, além de possuir uma App Store com mais de 60 mil aplicativos nativos para iPad, fora os para iPhone/iPod Touch.

Outra característica do sistema da Apple é que através dele a empresa editora de conteúdo não tem acesso direto à base de dados de assinantes. Estas informações ficam com a própria Apple. Somente se o usuário aceitar, pode fornecer seu nome, email e CEP para a editora. Para marcar presença em mais de um meio, as empresas podem utilizar um sistema de assinaturas através da Web, sem intermédio da App Store, mas, se isto acontecer, este deve ter valor igual ou maior ao da assinatura pela Apple, para não prejudicá-la.

Como era de se esperar, o sistema do Google tem uma face típica: é muito mais aberto. “Com o Google One Pass, as editoras podem manter contato direto com os seus clientes, e dar aos seus leitores acesso a conteúdos digitais através de websites e aplicativos móveis” (tradução livre), diz o post no Blog do Google. Aí já se tem duas diferenças básicas: a possibilidade de transitar entre diferentes plataformas digitais para o consumo do conteúdo, e a conexão direta de dados dos clientes para as empresas de conteúdo, o que acontece hoje em dia em um sistema de assinatura tradicional. Além disso, o percentual que ficará com o Google deve ser de 10%, mais em conta que os 30 da App Store. As transações acontecem através do sistema de compras Google Checkout. A arrancada parece ser forte também: eles não tiveram o buzz de um The Daily, mas o serviço já foi anunciado em sete países: Canadá, França, Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.

Em um primeiro momento, pelo menos, foi falado apenas de acesso a conteúdos via Web, e não através de aplicativos exclusivos. A companhia aposta assim no poder e na maleabilidade da Web para a distribuição de conteúdos. Não foi anunciado nada específico para o sistema Android, seja para celulares ou tablets, mas as inscrições funcionarão apenas nos dispositivos onde o sistema operacional permita este tipo de transação fora do seu mercado de aplicativos. Ou seja, principalmente o sistema Android.

No que diz respeito à Apple, há um fator importantíssimo que não está sendo questionado: através de seu sistema, ela tem controle não só sobre o valor, mas também sobre o conteúdo ofertado. Como já acontece em sua App Store, não entram aplicativos que possuam conteúdo adulto, nem que façam referência ao sistema Android, além de uma série de restrições. Com relação a conteúdo jornalístico, é importante observar de perto quais consequências estas regras podem trazer às publicações.

Na disputa do modelo de distribuição de conteúdo, cabe ao Google ir contra a enorme base de dados dfe usuários que a Apple já possui na manga e sabe usar. Não é só a facilidade da App Store e o sucesso do iPad que Steve Jobs quer vender às empresas de mídia: é também uma plataforma com 160 milhões de pessoas com seus cartões de créditos registrados, 90 milhões a mais que o PayPal.

A concorrência entre as duas reafirma a tendência de que não será uma plataforma única que nos trará notícias e informações nesta era digital. A coexistência e competição entre plataformas é constante e traz diversas opções para consumir conteúdos.

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