A computação invisível

 

A Microsoft publicou recentemente um vídeo (postado pelo Tiago Dória) em que o Chefe de Pesquisa e Estratégia, Craig Mundie, fala sobre o trabalho da empresa na área das Natural User Interface (NUI). Hoje, o método como interagimos com equipamentos da informática é através das Graphical User Interfaces (GUI), ou seja, as interfaces gráficas que, através de elementos específicos, nos traduzem a computação e fazem o que queremos. A diferença para a NUI, como o nome demonstra, é que estas elas são mais naturais, se adequam melhor ao ser humano e suas características. É uma evolução que muda totalmente o modo como lidamos com computadores.

No vídeo, aparecem experiêncas que mostram telas que reconhecem objetos externos, ou mesmo gestos humanos. A pesquisa deste tipo de tecnologia já era intenção da Microsoft quando do desenvolvimento da Microsoft Surface, anunciada em maio de 2007, que chegou a gerar bastantes comentários na Internet. Para quem não lembra, trata-se de uma mesa com tela sensível ao toque e a elementos externos, capaz de se sincronizar a câmeras, celulares, e oferecer uma infinidade de possibilidades. Depois do lançamento foi um pouco esquecida, até por conta de seu preço muito elevado, mas o produto já está em 2.0 e recebeu alguns usos interessantes em estabelecimentos comerciais.

Considero dois momentos do vídeo especialmente interessantes. Primeiro, quando Craig afirma que “nos encontramos em um monento que eu acho que pode trazer uma das maiores mudanças na evolução da computação, onde o computador deixa de ser uma ferramenta para se tornar um ajudante, e a interface da computação deixa de ser algo que guiamos para ser algo que é mais como nós”, e depois quando conclui que “a computação está se tornando mais invisível. Não é mais algo que chamamos de computador, mas que chamamos de alguma outra coisa” (tradução minha das duas frases).

Embora a Microsoft seja sempre muito criticada pelas interfaces do Windows, complicadas e não intuitivas, e seja tachada como empresa “quadradona”, é uma das que se preocupa bastante com as possibilidades que a “era pós-pc” pode trazer. O Kinect é um grande exemplo. Partindo do que o Wii faz, elevou a forma de jogar videogame a outro patamar (embora, evidentemente, sem a intenção de substituir os joysticks) e certamente a Microsoft como um todo saberá se aproveitar deste filão.

Em seu já clássico A vida digital, Nicholas Negroponte antevê as mudanças que as interfaces gráficas sofreriam ao longo de tempo, e como a computação passaria a ter um caráter mais humano. Ele percebeu como isso pode ser uma grande barreira para disseminar as possibilidades do digital, e como seria um passo lógico, após uma época em que o relacionamento entre humanos e computadores não parecia nada natural.

Do outro lado do Vale do Silício, a Apple também está muito interessada em investir na evolução do computador pessoal como o conhecemos hoje. O próprio iPad é um exemplo concreto, com uma interface extremamente amigável e um modo diferente de interação. Durante o anúncio do MacBook Air, Steve Jobs já deu interrogações em todo o mundo: “O que aconteceria se o iPad encontrasse o MacBook?”

Tanto de um lado como de outro, quem ganha é o usuário, e a era pós-pc parece bem mais interessante do que sua antecessora.

* Explicação necessária: os posts têm rareado porque estou com uma tarefa extensa nas mãos: estou resumindo minha monografia inteira em um artigo científico de cerca de 15 páginas. Está ficando bem legal, e colocarei aqui o resultado quando estiver pronto! Dentro em pouco volto a impor um ritmo mais acelerado de postagens no blog.

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