O computador que é a Internet

Uma janela para o ciberespaço. Foi assim que o New York Times definiu o primeiro navegador de Internet a utilizar recursos gráficos, o Mosaic. E é este conceito que a Google resolveu levar ao extremo com o seu último lançamento, o Chromebook. A versão pronta para venda, feita pela Samsung, foi anunciada no Google I/O, a conferência anual da empresa para desenvolvedores (aqui tem o keynote completo desse dia de apresentações). Também foi revelado o modelo fabricado pela Acer. Eles chegam às lojas nos EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Holanda, Itália e Espanha no dia 15 de junho, com preços entre US$ 349 e US$ 499. Há também a opção de alugá-lo por US$ 28 para usuários corporativos e US$ 20 para escolas e instituições de ensino.

O vídeo de apresentação do Chromebook é a melhor forma de entender sua proposta.

Se trata de um netbook com, nada mais nada menos, do que o navegador já bem conhecido, o Chrome, otimizado para trabalhar como um sistema operacional. O resultado é impressionante em sua simplicidade. Os programas são obtidos através da Chrome Web Store. Arquivos de drives externos abrem-se no próprio navegador. O papel de parede, um dos elementos mais próximos dos usuários, não existe, como brinca o vídeo. Tudo passa pela tela do navegador.

As configurações são boas para um netbook. O modelo da Samsung traz um processador Intel Atom Dual core N570 de 1.66GHz, web cam HD de um megapixel, tela de 12.1 polegadas, leitor de cartões de dados, conectividade 3G opcional e tela de 1280 x 800. Sem programas e muitos dados para iniciar, ele possui um HD de 16gb, e leva velozes oito segundos para iniciar completamente. Como diz o vídeo, em oito segundos, você está na Web.

O Chrome OS não é novidade. Baseado em Linux, ele foi anunciado em julho de 2009. Desde então, foi sendo melhorado, passou por Beta testers e teve sua versão estável anunciada em dezembro último. De certa forma, ele lembra a proposta do iOS, da Apple, se pensarmos que aposta largamente em conteúdo da Internet para deixar os aplicativos mais dinâmicos e (principalmente) leves, e que utiliza apenas um canal para obter estes aplicativos.

Embora muito aguardado, o sistema suscita dúvidas. Em um momento de difusão dos tablets e de crescimento para o sistema Android, que futuro terão os netbooks? O Google saberá evitar o conflito entre os dois sistemas operacionais?

Como funciona exclusivamente através da Internet, o Chromebook depende de conexão à rede para ser utilizável. Apesar de já serem bem mais comuns, os pontos de wifi gratuitos não estão distribuidas da forma ideal. Às vezes, é preciso penar para conseguir uma conexão pública. Neste sentido, ele perde muito de seu uso. Aí, a conectividade 3G ajuda bastante, apesar de que os planos ainda são um pouco caros.

A aposta do Chrome OS é ousada. Ele coloca todas as suas fichas nos dados que todos colocamos na Internet (na tão falada nuvem). Nesta formatação, não parece pretender ser o computador único de um usuário, mas mais um equipamento para acesso à Internet. Para viagens à negócios, por exemplo, ele parece ideal. Para pequenas empresas que precisam lidar de forma rápida com uma quantidade não tão grande de dados, também.

A frase principal do vídeo de apresentação é “Me pergunto se as pessoas estão prontas para isto”. Em um primeiro momento, talvez não estejam. Ainda mais com mais um player no mercado de sistemas operacionais, e móveis. O sucesso do Chrome OS depende de preços baixos, da difusão de pontos wireless e de que os usuários certos tenham acesso a ele.

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