Arquivo do mês: julho 2011

Passado, presente e futuro da plataforma Android

Rodrigo

O sistema operacional móvel Android, usado em smartphones e tablets e desenvolvido pela Google, tem feito sucesso. Hoje mais aparelhos com ele são ativados do que iPhones, o que demonstra o poder de fogo da plataforma. O entusiasta de software livre Rodrigo Carvalho, na palestra Android, catedral de sucessos, veio ao fisl explicar a trajetória do sistema e o que devemos esperar para o seu futuro.

O Android surge como primeiro sistema operacional móvel de sucesso a incorporar código aberto. “Meu sonho era ter um celular que tivesse Linux, que eu pudesse modificar. O Android foi o primeiro a trazer o Linux móvel para as massas”, explica. Ele surgiu em 2008 e o primeiro aparelho a ser baseado nele foi o HTC G1. O código do programa, no entanto, só viria a ser aberto em 2009. Hoje, ele está nas versões 2.3, para celulares, e 3.0, para tablets.

Há muitas controvérsias, no entanto, em torno do Android. Ele é um sistema aberto que recebe críticas. “O seu desenvolvimento acontece dentro do Google, a portas fechadas. Ninguém externo consegue contribuir, nem os planos da plataforma são divulgados”, afirma Rodrigo. O caso do hacker Cyanogen é conhecido. Ele fazia modificações no sistema para que rodasse no seu HTC G1. O Google descobriu e alegou que ele estava infringindo códigos proprietários. O hacker começou então um movimento para criar substitutos livres a esses códigos.

A versão Honeycomb do Android, específica para tablets, ainda não teve o código liberado. A Google afirma que não o divulgará, porque esperam o lançamento da versão Ice Cream Sandwich, que vai ser unificada entre smartphones e tablets e, aí sim, teria o código aberto.

Assim, o Android usa, conforme Rodrigo, o sistema de desenvolvimento catedral, fechado, ao invés do sistema bazar, colaborativo, do qual o Linux é um bom exemplo. “Eles não usam bazar porque a concorrência no mercado móvel é muito grande. O mundo está numa transição do desktop pra mobilidade, e todos querem uma fatia desse mercado. A Open Handset Alliance, [união de empresas que apóia o Android], quer uma vantagem, quer ter o código antes”, relata o programador.

Mas mesmo com todas estas polêmicas, a fórmula tem feito sucesso. Os motivos são vários. Primeiramente, segundo Rodrigo, ele veio no momento certo. “Os fabricantes precisavam de um competidor para o iPhone, estavam perdendo mercado, assim como as operadoras. O Android era viável e chegou na hora certa”, constata. Por outro lado, mesmo que a Open Handset Alliance mantenha controle sobre o sistema, ela representa um grande respaldo a ele. Além disso, o fato de ter o Java como linguagem também facilitou sua difusão: “muitos criticam o Java, mas é a plataforma mais usada no mundo. Os desenvolvedores acham muito natural, conseguem fazer mais aplicativos. A plataforma é madura”, demonstra ele.

Mas o que esperar para o futuro do Android? A concorrência é muito acirrada no mundo mobile e tanto ele como os adversários tem vários pontos fortes e fracos. Os próximos Androids deverão enfrentar a próxima geração do iPhone (tratada atualmente como iPhone 5 ou iPhone 4S), o Windows Phone 7 unido com os aparelhos da Nokia, a plataforma MeeGo (que não se sabe se decolará ou não) e o webOS, no qual a HP tem investido muito. De acordo com Rodrigo, os defensores do software livre esperam principalmente que ele fique mais aberto. Além disso, pela sua forte capacidade de adaptação, o Android é o que tem mais capacidade de estar em modelos para todos os gostos, incluindo os populares. “A concorrência é forte, mas o sucesso do Android tem dado novos horizontes ao Linux e ao software livre no mundo mobile”, concluiu.

*Este post faz parte das reportagens que fiz na cobertura  do 12º Fórum Software Livre. Este é o link original.

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A morte da indústria do copyright

Azevedo

“Quem aqui é pirata? Todos nós somos piratas!”. Foi assim que o especialista em segurança na rede Alberto J. Azevedo começou a palestra Nós somos todos Piratas! O capitalismo é selvagem na tarde de encerramento do fisl12. Azevedo citou estudos sobre o mercado da pirataria de músicas e filmes no mundo e criticou a indústria fonográfica e cinematográfica. Segundo ele, o vice-presidente executivo da MPAA (Associação Cinematográfica dos Estados Unidos, na sigla em inglês), Greg Frazier, teria dito que não estão interessados em democratizar a cultura. “Eles realmente não fazem nenhum esforço para isso”, afirmou.

Através principalmente de um estudo chamado Media Piracy in Emerging Countries (“Pirataria de Mídia em Países Emergentes”, em uma tradução livre), realizado pelo The Social Science Research Council, ele defende que, a pirataria acontece principalmente por preços altos cobrados injustamente pela indústria. “Existem muitas coisas envolvidas no assunto. Não é simplesmente dizer ‘eles estão nos roubando’. As pessoas simplificam muito a pirataria”, argumenta Azevedo.

Assim, o ativista comentou que é impossível parar a pirataria, e que toda a repressão se mostrou inútil: “a indústria do copyright consegue recuperar 2% do investimento em processos contra a pirataria”. Além disso, segundo ele, a questão não está ligada ao crime organizado, em razão da diferença de lucro com relação a outras atividades geridas pelo crime, como, por exemplo, o tráfico de drogas. “Tem a ver com popularidade, não com receita. Se o U2 lança um DVD, e todo o mundo está doido para ver, as pessoas o copiam e vendem. As pessoas não pirateiam por que é caro, mas porque querem ver”, afirma. O atraso e a defasagem na distribuição de filmes, músicas e, principalmente, séries televisivas é outro catalisador para que as pessoas compartilhem conteúdo, de acordo com ele.

Mas o preço, conforme Azevedo, é provavelmente a maior causa do aumento da pirataria. O mesmo estudo avalia o custo de DVDs aqui e em outros países, não simplesmente comparando o preço de balcão, mas o valor dele dentro do poder de compra de cada sociedade. “De acordo com pesquisas, um DVD custa de cinco a dez vezes mais no Brasil do que nos Estados Unidos e na Europa. É um convite para que a pirataria exista”, coloca ele. O nivelamento dos preços de acordo com as economias mais fortes acabaria gerando preços abusivos. “Assim, eles partem do pressuposto de que cada um que comprou um CD pirata teria comprado um original, mas isso não é verdade. A pessoa pode até ter R$ 5 no bolso para comprar na rua, mas nunca vai ter R$ 30 para ir na loja comprar o original”, conclui.

Aliado a esta conjuntura, está o grau avançado da tecnologia atualmente. A distribuição de bits é muito mais fácil que a de átomos, o que simplifica a transmissão de conteúdos de uma forma sem precedentes. Conforme o palestrante, isso modificou a cultura das pessoas, que não pensam mais em ir na casa de um amigo emprestar um livro, por exemplo, mas em mandar um arquivo em PDF por email.

O outro ponto criticado por Azevedo é a grande tributação imposta pelo ECAD, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, responsável pela arrecadação e distribuição de direitos autorais advindos da reprodução de músicas. “O Ecad quase cancelou o último show do U2 em São Paulo, porque o Bono se recusou a pagar direitos pra reproduzir as próprias músicas”.

Entre os exemplos de cobrança do Ecad estão 2,5% do lucro bruto de emissoras de rádio e televisão e 10% do lucro bruto de feiras agropecuárias. “Quem já fez evento sabe como é difícil ter lucro, às vezes não se chega a 10% de lucro, e eles querem isso por causa das músicas que tocam de fundo das feiras”, critica. Também devem pagar taxas consultórios médicos e dentários, e hoteis que tocarem músicas em salas de espera e recepções. Em contrapartida, no entanto, o que retorna para os artistas é um valor muito reduzido. Azevedo acrescenta: “O imposto encarece o produto, e somos sempre nós que pagamos a conta”.

O especialista conclui que a conjuntura demonstra principalmente uma coisa: “A indústria do copyright está morrendo, e eu não conheço ninguém que morra calado”. Todas as reclamações e tentativas de acabar com a pirataria seriam, assim, uma forma de protelar o declínio de um modelo de negócios. Ao mesmo tempo, várias condições para o compartilhamento indevido de conteúdo foram criadas ou aumentadas pela própria indústria. “A pirataria é um monstro que ela própria criou”, exalta Azevedo

*Este post faz parte das reportagens que fiz na cobertura  do 12º Fórum Software Livre. Este é o link original.


Marco Civil da Internet e a cultura digital em discussão no fisl

Marco_civil

O publicitário João Carlos Caribé e o ativista das liberdades fundamentais na Internet Paulo Rená subiram a um dos palcos do fisl na tarde do dia primeiro para debater uma questão crucial na democracia brasileira nos últimos anos: o futuro do Marco Civil da Internet.

Para discutir o futuro, no entanto, é necessário conhecer presente e passado. O espírito que envolve o Marco Civil é o de tornar o Estado e o Poder Legislativo mais abertos para o uso da Internet no Brasil. Assim, ele faz parte de uma reação da sociedade contra o Projeto de Lei 84 de 1999, também conhecido como Projeto Azeredo, ou como AI-5 Digital. “Este projeto de lei faz uma abordagem penal da Internet, a enxerga como uma fonte de delitos. A proposta do Marco Civil é abrir os olhos do Estado e torná-lo mais permeável a outros argumentos, como a rede como espaço de expressão, comunicação, aprendizado etc.”, diz Rená.

Assim, o Marco Civil nasceu em 2009, no próprio fisl, quando o então presidente Lula, ao se encontrar com ativistas como John “Maddog” Hall, Richard Stallman e Sergio Amadeu, firmou compromisso de fazer uma legislação brasileira diferenciada para a rede. Conforme Paulo Rená, o Ministério da Justiça levou a ideia a sério e, após muitos estudos, a iniciativa saiu às ruas. O próprio Rená foi gestor do projeto, entre 2009 e 2010: “Basicamente, fizemos um texto de lei e o tornamos público perguntando às pessoas se, com ele, o uso que os cidadãos faziam da Internet continuava satisfatório e adequado”.

Caribé resumiu as virtudes do Marco Civil: “É um projeto feito para garantir as nossas liberdades. Ele tem, por exemplo, clausulas para garantir a neutralidade da rede. Nós sabemos que a rede tem que ser neutra, e sabemos que quem provê acesso à Internet não quer que ela seja neutra. O Brasil é um dos países mais criativos do mundo, temos que manter esse canal de expressão aberto”.

Além do Marco Civil, duas outras leis lutam por espaço na legislação brasileira, segundo os palestrantes: a Lei de Acesso à Informação, que estava no centro da recente discussão sobre a liberação de documentos sigilosos, e a Lei de Proteção a Dados Pessoais.

Rená e Caribé são unânimes. Para o futuro do Marco Civil, é preciso discussão e pressão. “Agora a Casa Civil deve ser pressionada para mandar o Marco Civil pro Congresso. Todo mundo está convidado a pressionar o governo para fazer isso. O público, quem está na Internet, quem vai ver o vídeo depois, todo mundo”, defende Rená, e acrescenta: “O Marco Civil daqui pra frente será o que a sociedade quiser. Se vocês se mexerem e cobrarem este será o futuro, se não, eu creio que nada acontecerá”.

Caribé abordou ainda o movimento Mega Sim, “filho-irmão” do movimento Mega Não (direcionado ao PL 84 e ao vigilantismo em geral na rede). Ele é uma força tarefa que propõe discutir temas importantes da cultura digital brasileira, tais como o Plano Nacional de Banda Larga, a inclusão digital, a liberdade de expressão na rede, além do próprio Marco Civil.

Por fim, coube um alerta: “O PL 84, AI-5 digital, não é o primeiro projeto de lei a afetar nossos direitos online. Leis do gênero são propostas desde 1991, antes de ter Internet no Brasil. A população tem que abrir os olhos para estas tentativas”, conclui Rená.

*Este post faz parte das reportagens que fiz na cobertura  do 12º Fórum Software Livre. Este é o link original.


Jacob Appelbaum discute anonimidade e controle da Internet no fisl12

Jacob

O pesquisador de segurança e liberdade na computação Jacob Appelbaum arrancou risadas do público e falou no fisl no final da manhã do dia primeiro, em palestra concorrida. Alguém aqui confia no seu provedor de Internet? Ninguém? Bom, eu acho que a única maneira de confiar no seu provedor de Internet é se você é o provedor de Internet”, disse ele.

Appelbaum, que também é um dos fundadores do coletivo de hackers Noisebridge e trabalha na Universidade de Washington, já foi detido repetidas vezes por departamentos de inteligência norte-americanos ao tentar entrar ou sair do país em viagem.

Em sua fala, abrangeu principalmente o Tor (The Onion Router), projeto do qual é um dos principais membros. O Tor é uma rede distribuida, que visa promover anonimidade, privacidade e segurança na Internet. No caso, os roteadores da rede são computadores de usuários comuns conectados à Web e rodando o cliente Tor. Isto permite que o usuário navegue com sua anonimidade garantida na Web. A iniciativa não tem fins lucrativos, como comenta Jacob: “nós acreditamos que é impossível manter as pessoas seguras na Internet se houver lucro envolvido. Os dois não podem ficar juntos”. Atualmente, o Tor vem crescendo entre os usuários e ganhando destaque. “Somos o único projeto de anonimidade que é financiado ao mesmo tempo pela Eletronic Frontier Foundation e pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Acho meio estranho, mas é hilário”, conta.

Entre os usuários estão utilizadores domésticos, empresas, ativistas, exércitos e departamentos policiais. “Mas eu não me importo com o que corporações e governos querem, eu me importo com pessoas”, destaca o pesquisador.

Através da instalação do cliente, o Tor direciona o tráfego do computador através de túneis http da rede Tor até o destino, já na rede “convencional”. O endereço IP relacionado é anônimo, o que aparece é apenas o endereço do nó da rede Tor por onde o tráfego saiu. Por ter que transitar aleatoriamente entre os nós, o fluxo pode ser lento. “Um proxy normal de Internet pode reunir todos os dados de quem o utiliza. O Tor usa três camadas (relays), assim, quem vigia pode conseguir apenas um tipo de dado, ao invés de todos”, explica ele. Mais detalhes do funcionamento do serviço disponíveis aqui.

Apesar de sua eficiência, a rede Tor é muito fácil de ser bloqueada. Foi o que já aconteceu na China. Da mesma forma, é fácil proibir o download do cliente. Este bloqueio acontece também no Irã, no Líbano, no Qatar, e em vários outros países. É preciso tomar cuidado: quando se está usando o Tor, censores não podem observar o que está sendo acessado, mas podem ver que o usuário está utilizando o programa.

O Tor pode ser um bom termômetro da situação social em um país. No Egito, por exemplo, antes de fevereiro de 2011, época da revolução, o número de usuários no país árabe subiu de menos de 500 para mais de 2 mil. Hoje, varia entre mil e dois mil. “Um administrador no Egito disse que ninguém devia se preocupar, pois faria tudo o que a lei dissesse, com relação à Internet. Bom, eu me perguntei se ele faria tudo mesmo se isso significasse rastrear os dados dos usuários e caçá-los por isso. Perguntei de novo se ele faria tudo que a lei dissesse. Ele confirmou mais duas vezes. São essas pessoas que estão por trás da Internet. Não podemos permitir isso”, contou. No Brasil, o número de usuários varia entre 3 e 5 mil, mas estes dados são aproximados, e vários acessos podem vir da mesma pessoa.

De fato, o risco de desligamento da Internet é uma preocupação constante não só de Jacob, mas de diversos defensores da liberdade na rede. “Sempre que alguém disser que não vai desligar a Internet, perguntam se essa pessoa tem poder para isso. E se tiver, perguntem o porquê disso. O que eles querem dizer é que não vão desligá-la, até que decidam fazê-lo”, exclama.

Jacob destacou ainda a importância do fisl, e a do engajamento pela liberdade na rede: “Pessoas como as daqui do Brasil têm que ajudar as pessoas no Egito, que precisam. Não deixem ninguém tentar dominar a Internet”.

*Este post faz parte das reportagens que fiz na cobertura  do 12º Fórum Software Livre. Este é o link original.


Um Google open code

Michael

A gigante Google marcou presença novamente no fisl. Na manhã do dia primeiro, o engenheiro Michael Hanselmann, da Google Suíça, palestrou sobre a relação antiga e próspera da empresa com softwares open source. Michael trabalha no centro de administração de sistema da Google em Zurique, e tem um longo envolvimento com projetos de código aberto.

“O Open Source é compatível com a ideia da Google de dar conhecimento para todos, espalhar o conhecimento”, citou Michael como um dos motivos para o engajamento da empresa. “Ele também reduz a importância do desenvolvimento proprietário no desktop”, acrescentou.

Em um breve histórico, o engenheiro mostrou como a companhia está envolvida com o open source desde o início. Os servidores do sistema de busca, criados em 1997 como simples computadores empilhados e melhorados constantemente, já rodavam Linux. Hoje, são racks que ocupam galpões inteiros em diversos lugares do mundo. “O Google (a ferramenta de busca) roda em Linux”, resumiu.

Através deste tipo de tecnologia, de acordo com o engenheiro, a empresa não fica presa a nenhuma outra companhia privada de software. Além disso, desta forma os códigos se tornam totalmente modificáveis e adaptáveis, e os profissionais da companhia ganham tempo, já que, na maioria das vezes, já estão habituados a trabalhar com as linguagens utilizadas.

Em troca do seu uso, a Google contribui com a comunidade de Open Source com a divulgação de códigos e doações para instituições da área. “Divulgamos cerca de 200 patches por mês. Há ainda a publicação do Google web toolkit, do Chromium, do Android. Ao todo, são mais de 25 milhões de linhas de código”, destaca Michael. Há mais informações sobre projetos da Google em código aberto neste wiki.

Entre as pesquisas acadêmicas que receberam incentivo da companhia estão o Hadoop, e o MapReduce. É possível navegar pelas publicações do Google na área aqui.

Há algumas tecnologias, no entanto, das quais a empresa de Mountain Ville não abre mão. Entre elas, o PageRank (motor da ferramenta de buscas) e o sistema de filtragem de spams.

Como mostra de todo este interesse, Michael citou também o bem-sucedido programa de estágios Google Summer of Code, sobre o qual a também funcionária da Google Carol Smith palestrou no primeiro dia do fisl, sobre o qual os Googlers não possuem fins lucrativos.

Hanselmann completou: “usar código aberto tem tudo a ver com a ética da Google, e nos faz economizar muito tempo”.

*Este post faz parte das reportagens que fiz na cobertura  do 12º Fórum Software Livre. Este é o link original.


O futuro da Web e o HTML5

Cecconi

30 de junho de 2011

O auditório se encheu na tarde do dia 30 de junho no fisl12 para a palestra sobre questionamentos constantes para quem lida com a Internet: O futuro da Web. Carlinhos Cecconi, analista do braço brasileiro do W3C (World Wide Web Consortium), concórcio mundial que regulamenta a Web, defendeu que o futuro passa pela linguagem HTML5, que tem grande potencial e é cada vez mais utilizada por desenvolvedores.

Carlinhos iniciou relatando a história da World Wide Web. Desde sua criação, em 1989, pelo físico britânico Tim Berners-Lee, ela nunca parou, agregando sempre novos recursos, com mais possibilidades. Naquele ano, Berners-Lee criou também a linguagem HTML, o protocolo HTTP e a identificação URI. Mais tarde, foram acrescentados o CSS e o JavaScript. Em 1994, surgiu o W3C , com o objetivo de integrar público, organizações filiadas e equipe própria, para desenvolver colaborativamente padrões internacionais para a Web. As metas do consórcio são: a Web para todos; a Web em qualquer dispositivo; a Web base de conhecimento; Web confiável e segura. Anualmente, a instituição faz uma conferência internacional, que, em 2013, pela primeira vez, acontecerá no Brasil, no Rio de Janeiro.

Basicamente, Cecconi defende que o que possibilita falar em um futuro da Web é o seu uso não apenas como repositório de informações, mas para exibição, automação e integração. Em outras palavras, é ter um sistema que consiga interpretar os dados. Se antes o conteúdo era fornecido por servidores e lido por browsers, hoje acontece mais um processo, o de reunir estas informações com mash-ups. Hoje, o futuro da Web é usar as informações como antes, hiperlinkando-as e significando-as, de modo que a máquina compreenda, e possa, assim, trabalhar de forma mais eficiente. Isto acontece através da linguagem HTML5, que possui recursos semânticos para construir páginas. Da chamada Web Semântica, considerada a evolução da Web Social e da Web de dados, parte uma nova relação entre usuário e Web.

Com algumas simples demonstrações do potencial do HTML5, ele impressionou o público. Com apenas duas linhas de código, é fácil criar formulários, legendar vídeos, entre várias outras possibilidades. Conforme Cecconi, o W3C voltou a se dedicar ao desenvolvimento da linguagem HTML em 2007, já que antes investia no XHTML. Hoje, todos os principais navegadores oferecem suporte ao HTML5, que já é considerado por muitos como um ótimo substituto para a tecnologia Flash.

Cecconi ainda compartilhou alguns links com dicas e tutoriais sobre HTML5. Os slides utilizados na palestra estão disponíveis aqui.

W3C Cursos

W3.org

WHATWG

*Este post faz parte das reportagens que fiz na cobertura do 12º Fórum Software Livre. Este é o link original.


Um verão com código aberto

29 de junho de 2011 Carol_certa

Uma oportunidade para estudantes aproveitarem o tempo de verão para se aperfeiçoar em softwares de código aberto e melhorar suas qualidades de programador. É o que oferece o Google Summer of Code, programa de estágio remunerado online durante o verão (do hemisfério norte). A administradora do projeto, Carol Smith, foi destaque na primeira tarde do fisl com a palestra sobre o projeto.

Ao todo, o GSoC, como é conhecido, já beneficiou mais de 2,5 mil estudantes, de 98 países. Ele acontece anualmente desde 2005 e funciona através de uma parceria entre o Google, o estudante, e uma instituição cadastrada. Basicamente, o aluno trabalha em um projeto para uma organização durante o verão. Entre os objetivos do programa estão desenvolver novos programas de código aberto, ajudar desenvolvedores a melhorar suas habilidades, integrar empresas e jovens talentos e dar uma oportunidade aos alunos de vivenciarem uma experiẽncia no mundo real da criação de software, além de contribuidor com mais programas de código aberto para a sociedade.

De início, no começo de cada ano, as organizações que querem participar do projeto se inscrevem, e passam por avaliação. Após, a lista com as aprovadas é divulgada, e os estudantes interessados discutem projetos relativos a computação com a instituição de sua preferência. Depois, eles também se inscrevem no site e passam por avaliação. Em abril, os candidatos são relacionados um a um com a instituição que irá orientá-los, e, então, a lista com os aprovados é divulgada. A partir desse ponto, os alunos já começam a trabalhar em seus projetos, guiados pelas instituições. Avaliações constantes são enviadas ao Google, assim como o programa depois de pronto. Ao final, os estudantes recebem as criações de volta. Todos os passos são descritos aqui e na seção FAQ do site.

Os recrutados são remunerados com US$ 5 mil cada, e as organizações ficam com US$ 500 cada. O GSoC funciona inteiramente online, e para se candidatar é necessário ter no mínimo 18 anos e estar matriculado em alguma universidade, não importa o grau (bacharelado, mestrado ou doutorado), ou a área de estudos. O período de inscrições para a próxima edição deve abrir no final do primeiro trimestre do ano que vem.

“A vantagem para os estudantes é que quando terminam podem mostrar uma parte do trabalho deles como portfolio. É algo que eles têm pronto para mostrar”, afirma Carol. A gama de instituições que participa é bem variada. Bancos de dados, sistemas operacionais, linguagens e várias outras áreas, tudo está lá. Além disso, as linguagens de programação aceitas também são muitas.

Para 2011, foram selecionados 1.110 estudantes de 68 países e 175 instituições. Curiosa e felizmente, o Brasil é o sexto país que mais envia participantes: foram 46 este ano.

Carol defende que o programa tem ajudado crescentemente os alunos porque as empresas tem os orientado melhor: “elas estão entendendo bem o programa e têm entendido cada vez mais o que é orientar um estudante”. Além disso, a ferramenta Web de publicação do projeto, conhecida como Melange, foi totalmente remodelada, com sua interface melhorada.

De um lado, experiência para quem está começando no meio; de outro, mais contribuidores e contribuições para as organizações. Carol completa: “Às vezes, ficar programando em casa, sozinho no quarto pode se tornar muito solitário. É muito bom poder aprender a fazer isso com uma empresa, sendo guiado”. E a sociedade ganha com acesso a mais projetos de código aberto.

* Este post faz parte das reportagens que fiz na cobertura do 12º Fórum Software Livre. Este é o link original.


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