Jacob Appelbaum discute anonimidade e controle da Internet no fisl12

Jacob

O pesquisador de segurança e liberdade na computação Jacob Appelbaum arrancou risadas do público e falou no fisl no final da manhã do dia primeiro, em palestra concorrida. Alguém aqui confia no seu provedor de Internet? Ninguém? Bom, eu acho que a única maneira de confiar no seu provedor de Internet é se você é o provedor de Internet”, disse ele.

Appelbaum, que também é um dos fundadores do coletivo de hackers Noisebridge e trabalha na Universidade de Washington, já foi detido repetidas vezes por departamentos de inteligência norte-americanos ao tentar entrar ou sair do país em viagem.

Em sua fala, abrangeu principalmente o Tor (The Onion Router), projeto do qual é um dos principais membros. O Tor é uma rede distribuida, que visa promover anonimidade, privacidade e segurança na Internet. No caso, os roteadores da rede são computadores de usuários comuns conectados à Web e rodando o cliente Tor. Isto permite que o usuário navegue com sua anonimidade garantida na Web. A iniciativa não tem fins lucrativos, como comenta Jacob: “nós acreditamos que é impossível manter as pessoas seguras na Internet se houver lucro envolvido. Os dois não podem ficar juntos”. Atualmente, o Tor vem crescendo entre os usuários e ganhando destaque. “Somos o único projeto de anonimidade que é financiado ao mesmo tempo pela Eletronic Frontier Foundation e pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Acho meio estranho, mas é hilário”, conta.

Entre os usuários estão utilizadores domésticos, empresas, ativistas, exércitos e departamentos policiais. “Mas eu não me importo com o que corporações e governos querem, eu me importo com pessoas”, destaca o pesquisador.

Através da instalação do cliente, o Tor direciona o tráfego do computador através de túneis http da rede Tor até o destino, já na rede “convencional”. O endereço IP relacionado é anônimo, o que aparece é apenas o endereço do nó da rede Tor por onde o tráfego saiu. Por ter que transitar aleatoriamente entre os nós, o fluxo pode ser lento. “Um proxy normal de Internet pode reunir todos os dados de quem o utiliza. O Tor usa três camadas (relays), assim, quem vigia pode conseguir apenas um tipo de dado, ao invés de todos”, explica ele. Mais detalhes do funcionamento do serviço disponíveis aqui.

Apesar de sua eficiência, a rede Tor é muito fácil de ser bloqueada. Foi o que já aconteceu na China. Da mesma forma, é fácil proibir o download do cliente. Este bloqueio acontece também no Irã, no Líbano, no Qatar, e em vários outros países. É preciso tomar cuidado: quando se está usando o Tor, censores não podem observar o que está sendo acessado, mas podem ver que o usuário está utilizando o programa.

O Tor pode ser um bom termômetro da situação social em um país. No Egito, por exemplo, antes de fevereiro de 2011, época da revolução, o número de usuários no país árabe subiu de menos de 500 para mais de 2 mil. Hoje, varia entre mil e dois mil. “Um administrador no Egito disse que ninguém devia se preocupar, pois faria tudo o que a lei dissesse, com relação à Internet. Bom, eu me perguntei se ele faria tudo mesmo se isso significasse rastrear os dados dos usuários e caçá-los por isso. Perguntei de novo se ele faria tudo que a lei dissesse. Ele confirmou mais duas vezes. São essas pessoas que estão por trás da Internet. Não podemos permitir isso”, contou. No Brasil, o número de usuários varia entre 3 e 5 mil, mas estes dados são aproximados, e vários acessos podem vir da mesma pessoa.

De fato, o risco de desligamento da Internet é uma preocupação constante não só de Jacob, mas de diversos defensores da liberdade na rede. “Sempre que alguém disser que não vai desligar a Internet, perguntam se essa pessoa tem poder para isso. E se tiver, perguntem o porquê disso. O que eles querem dizer é que não vão desligá-la, até que decidam fazê-lo”, exclama.

Jacob destacou ainda a importância do fisl, e a do engajamento pela liberdade na rede: “Pessoas como as daqui do Brasil têm que ajudar as pessoas no Egito, que precisam. Não deixem ninguém tentar dominar a Internet”.

*Este post faz parte das reportagens que fiz na cobertura  do 12º Fórum Software Livre. Este é o link original.

Anúncios

Uma resposta para “Jacob Appelbaum discute anonimidade e controle da Internet no fisl12

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: