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O fim do Flash Mobile

Os últimos dias trouxeram algumas definições para o uso do Flash. No dia nove, a Adobe anunciou que interromperá o desenvolvimento do conhecido, mas ultimamente questionado, Flash Player em dispositivos móveis. Nesta segunda-feira, a Google afirmou que o seu último sistema operacional móvel, o Ice Cream Sandwich, ainda não tem suporte para Flash, mas que ele será lançado “em breve”. Ao que tudo indica, esta deve ser a última versão major do sistema a oferecer suporte à tecnologia.

Desde o anúncio do iPhone, lá em 2007, e principalmente após o lançamento do iPad, no início de 2010, criou-se uma polêmica em torno da necessidade e do uso da tecnologia Flash em dispositivos móveis. Steve Jobs, definitivo como sempre, afirmou que o Flash estava morto. Por outro lado, o W3C voltou a desenvolver a linguagem HTML por volta de 2007 (com muito apoio da própria Apple), resultando no desenvolvimento do tão comentado HTML5.

Muitos afirmam que o HTML é um bom substituto para o Flash. Mais leve, sem necessidade de plug-ins e presente em dispositivos móveis, deveria ser o padrão a ser usado no futuro. Mas a questão não é tão clara assim. Já ouvi de profissionais especializados que fazer hoje com HTML 5 o que se faz com o Flash é impossível. Desenvolvido há bem mais tempo, o Flash ainda tem um potencial muito grande para gerar experiências recompensadoras aos usuários, especialmente após o lançamento de sua última versão, o Flash Player 11. Muito se argumenta que o HTML5 é uma alternativa mais poderosa, já que não necessita de plug-ins e, logo, seria lido em qualquer browser. No entanto, é importante ter em mente que apenas os navegadores mais novos leem HTML5. Não apenas isso, mas alguns recursos funcionam apenas nas últimas versões desenvolvidas, e alguns itens experimentais funcionam apenas no Google Chrome etc. Querendo ou não, a imensa maioria dos navegadores ainda lê Flash, e bem. Afinal de contas, o Internet Explorer 6 continua por aí.

Mas é importante observar a declaração do líder de relações com desenvolvedores da Adobe, Mike Chambers. De acordo com ele, mobile não é o lugar certo para o Flash. O desenvolvimento de Flash Players para navegadores móveis é muito mais trabalhoso do que para desktop. Além disso, e isto é fundamental, dispositivos móveis requerem uma experiência diferente, e o tamanho da tela, a dependência em redes 3G ou 4G e a força das lojas de apps tornaram o Flash “menos relevante”. Ainda por cima, a Adobe também aposta no HTML5 (lançaram recentemente o Edge, um editor de animações para a linguagem), e interromper os esforços de uma linguagem de certa forma concorrente facilita a investida da empresa na área.

Ponto para quem acreditava que mobile não era o lugar certo para visualizar Flash, mas ponto também para quem crê que o Flash ainda está longe do fim.

Bônus

Aproveitando, seguem dois exemplos bem legais de site, um em cada linguagem.

HTML 5 – Draw a Stickman

Flash – Map of Metal


Um novo passo para o iOS

Na última semana, a Apple anunciou na Worlwide Developers Converence (a WWDC, ou Conferência Mundial de Desenvolvedores), a nova versão de seu sistema operacional para dispositivos móveis. O iOS 5 ainda não tem data exata para ser liberado, se sabe apenas que está disponível ainda neste outono (do Hemisfério Norte). Foram anunciados ainda a versão Lion do Mac OS X, sistema operacional dos Macs, e o já aguardado serviço de compartilhamentos de dados em nuvem iCloud.

As melhorias na quinta versão do iOS são muitas. Na verdade, são cerca de 200, em vários âmbitos. A lista completa pode ser vista no site da Apple. O iOS ganhou a posição de destaque que tem hoje por sua simplicidade e eficiência. De fato, no início muitas pessoas nem tinham ideia da existência do sistema, simplesmente porque ele não fica no caminho para nada. Esse era o desafio da Apple: adicionar melhorias e funções ao software, sem prejudicar sua usabilidade e facilidade.

A princípio, a tarefa parece ter sido bem sucedida. Mesmo que ainda não tenhamos acesso à atualização do sistema, os novos recursos parecem ser bem desenhados, expandindo a experiência de uso. É interessante notar que pelo menos duas ideias foram baseadas no sistema Android, forte concorrente ao da Apple. A primeira, e mais evidente, é o Notification Center, uma lista que reúne notificações e avisos de qualquer App. Emails, mensagens, chamadas, lembretes… Tudo está acessível ao deslizar o dedo do topo da tela para baixo (exatamente como no Android, com a mesma função). A outra semelhança é a integração entre recursos e sistema operacional, mais evidente na relação entre sistema e Twitter. Será possível tuitar de qualquer app interna, o tipo de integração que já acontecia no Android.

Nota-se também que a Apple tirou uma lição dos desenvolvedores externos de aplicativos. Um dos tipos mais usados e baixados de app para o sistema é o de lista de tarefas para o dia a dia, as famosas “to-do lists”. A nova versão do sistema trará uma própria lista de tarefas, sincronizável entre dispositivos Apple. Uma ideia saída das apps para iPhone, que se torna recurso de série do sistema.

Lembretes, Newsstand e Notification Center, no iPod Touch, iPad e iPhone

Outro ponto importante do sistema foi a criação do Newsstand. Se trata de uma estante que reúne as assinaturas de revistas e periódicos do usuário, mostrando quais as últimas edições e atualizando-as automaticamente. Com ele, a empresa solidifica ainda mais sua posição como banca de revistas digital e solução para empresas jornalísticas. É um passo a frente na distribuição de conteúdo jornalístico digital, principalmente contra o sistema da Google e o Nook Color (da livraria Barnes & Noble), principais rivais neste ponto.

A disponibilização do iMessage (sistema de mensagens de texto, acessível apenas entre usuários de iPods, iPhones e iPads) para iPod Touch e iPad demonstra o crescente esforço da empresa de Cupertino para aumentar a semelhança de experiência entre os diferentes dispositivos, além de promover a ubiquidade deles. Ou seja, quanto mais aparelhos Apple o cliente tiver, mais integrada estará sua vida online e digital, com cada vez menos dificuldades. Ataque direto nos fragmentados Windows e Android, sempre criticados por não terem essa unidade, bem aproveitada pela equipe de Steve Jobs.

O iOS sempre foi um firmware competente, que dava conta das tarefas diárias e soube aproveitar o hardware do aparelho. Com esta atualização ele se expande, para mostrar que ter mais recursos não fere necessariamente sua identidade.


Banca de revistas digital

A Condé Nast, uma das maiores editoras de revistas dos Estados Unidos, anunciou hoje que a The New Yorker, uma das publicações jornalísticas mais respeitadas do mundo, passará a ter assinatura via iPad.

O valor da inscrição é de US$5,99/mês (4 edições) ou US$59,99/ano, com acesso liberado também para a versão Web da revista. A Condé Nast anunciou também que no final de maio estarão disponíveis as assinaturas de mais sete revistas através da App Store, entre elas a Wired e a Vanity Fair. Os valores dessas últimas serão de US$1.99 por mês ou US$19.99 por ano.

Ao lançar o sistema de assinaturas através de sua loja de aplicativos, no início do ano, a Apple passou por algumas discussões com as editoras, insatisfeitas com os termos propostos. Ela ainda tem que lidar com a concorrência do sistema de inscrições do Google (discuto os dois assuntos aqui). Apenas recentemente as empresas e a Apple entraram em acordo, embora não tenham sido divulgados mais detalhes.

Com a entrada de mais players no setor da distribuição de revistas digitais, o iPad se transforma ainda mais em banca de revistas virtual. Assim, ele compete de forma mais incisiva contra o Nook Color, e-reader da livraria norte-americana Barnes & Noble, que possui como um dos principais diferenciais a gama de revistas disponível.

A Condé Nast se junta à Hearst e à Time Inc., que também investiram nas assinaturas através do iPad. A The New Yorker, a Wired e a Vanity Fair já estavam disponíveis para o tablet, mas o que melhora com o sistema é a facilidade e o preço. Para quem mora no Brasil, por exemplo, ter acesso a revistas estrangeiras com simplicidade e a um valor bem acessível é maravilhoso. No caso da Wired, o custo de uma edição em banca aqui gira em torno dos R$ 30,00, enquanto pode ser adquirida por menos de R$ 8,00 através do aplicativo, e, com o novo sistema de assinaturas, por menos de R$ 4,00. Considerando o custo da maioria das revistas comuns no Brasil (em torno de R$ 10,00), é um valor extremamente agradável.

Ainda existem detalhes a serem resolvidos. O download de publicações é demorado, e, por exemplo, o aplicativo da National Geographic para iPad não está aberto para App Store brasileira, mas a assinatura pelo PC está disponível para o País. Mesmo assim, o cenário das publicações digitais se torna mais otimista do que nunca.

P.S.: Na Faculdade de Comunicação Social da PUCRS, os estudantes da disciplina de Jornalismo Online 2 desenvolveram uma publicação para iPad, com textos e vídeos sobre o futuro das linguagens multimídia. Ela está disponível tanto para iPad quanto em PDF aqui.


iPad (2) no Brasil (2)

Agora, os rumores deixaram um pouco de lado a “fábrica da Apple” no Brasil, e se direcionam para a chegada do iPad 2 no país (que já foi homologado pela Anatel). O último boato noticiado está sendo 27 de maio, mas já aí há divergências.

As fontes não são exatamente confiáveis. O Olhar Digital parece ter pego apenas informações de vendedores de shoppings, alguns deles com base no próprio sistema da loja. Eles se arriscam até a colocar o preço do tablet, R$ 1750,00 para o modelo de 16gb sem 3G, o mais simples, o que é R$ 100,00 mais caro do que o modelo anterior. Esperemos que esta informação seja equivocada, pois contraria um dos costumes mais interessantes da Apple na venda de seus produtos, o de que seus modelos novos surgem com preços iguais aos dos antecessores. Na China, o iPad 2 (recém lançado por lá) de 16gb sem 3G custa 3,688 yuans, 300 abaixo dos 3,988 yuans do anterior (quando do lançamento). Na França o mesmo modelo vale  €$ 489, dez euros mais barato que a versão mais velha. Nos Estados Unidos, o valor da primeira geração se repetiu. Por que a mudança no Brasil? Tendo em vista o valor do total do aparelho, R$ 100,oo não chegam a ser um valor enorme, mas é de se imaginar se o valor subiu pela tributação ou por lobby de revendedores, que conhecem o apelo do produto.

Já aí nota-se que mesmo que se confirme a tão falada fábrica da Foxconn, a redução no preço do tablet não deve ser significativa, mesmo com a intenção da presidente Dilma Rousseff de aliviar a tributação e popularizar tablets no Brasil.


Os rumores do iPad no Brasil

Já é noticiada como certa a futura fabricação de aparelhos da cultuada Apple no Brasil. Depois de muito tempo de expectativas e boatos, a presença da gigante Foxconn em uma nova fábrica foi confirmada por alguns veículos, ainda mais depois da recente visita da presidente Dilma à China. Nova fábrica pois a Foxconn já possui cinco empreendimento no País. A empresa taiwanesa desbancou até mesmo o império do bilionário Eike Batista, que tentou ele próprio estabelecer a montagem dos produtos da casa da maçã por aqui. Mas competir com quem já é responsável há anos por grande parte da produção da Apple não é fácil e, desta vez, não sobrou para ele. Ainda não é possível dar prazos e ainda há muito para se confirmar.

Muito tem se previsto com a vinda da fábrica ao Brasil. Este guia do Gizmodo, inclusive, ajuda a elucidar os fatos envolvidos no negócio.

Na verdade, o primeiro a se especificar é que não existirá “fábrica da Apple”. A Apple não tem fábricas, apenas montadoras de seus produtos. No caso, esta será a Foxconn, que é a mesma em que 17 trabalhadores se suicidaram em um ano. E nela serão montados apenas iPads, sem notícias de outros aparelhos em um primeiro momento.

O que mais tem se especulado é a questão do preço. Como seria montado aqui (as peças continuam vindo de fora), o custo diminuiria, e o reflexo para o consumidor seria enorme. Bom, existem diversos smartphones e mesmo computadores que são produzidos em território nacional e continuam sendo pouco acessíveis. Além do mais, a Apple gosta de cobrar preços altos para aumentar o status de seus produtos, como se sabe. Na prateleira, costumam ser os mais caros, até para diferenciá-los dos outros. Neste sentido, o iPad até é uma exceção. Alguns tablets, como o Xoom, da Motorola, são mais caros, e outros, como o Playbook, da RIM e o Iconia, da Acer, estão na mesma faixa de preço.

Um iPad de primeira geração de 32 GB sem conectividade 3G na Apple Store online chinesa custa 3.688 iuans, o que corresponde (em uma comparação seca) a R$ 893,97, bem mais agradáveis do que os R$ 1.699,00 do mesmo modelo na loja brasileira. No entanto, a situação tributária e industrial do país asiático é bem diversa da brasileira. Inclusive, a importação de chips e telas de LCD é complicada, e viria de longe. Para quem pensa que aqui seria o paraíso do iPad, note que a comparação é entre iPads de primeira geração, pois, assim como cá, lá a segunda geração do tablet ainda não chegou. O iPad 2 é montado na China, de onde zarpa para diversos outros países, mas ainda não tem data para ser vendido por lá.

Enfim, como sempre os boatos são muitos. Os últimos parecem promissores, mas deve-se ter cautela. Mesmo se a tão sonhada fábrica for montada, há muitos poréns, e o que se espera é que o preço para o consumidor não sofra uma queda acentuada. Sua vinda pode trazer não só estes descontos, mas chamar ainda mais a atenção para o pólo industrial brasileiro e movimentar muito positivamente a economia.


Google X Apple mais uma vez

Temos mais um gigante na briga da distribuição de conteúdo online. Após o anúncio de assinaturas que a Apple disponibilizou para conteúdos de revistas e jornais através de sua loja de aplicativos, que foi feito juntamente com o The Daily, o onipresente Google resolveu lançar o seu modelo.

A empresa de busca de Mountain View anunciou na Universidade Humboldt o Google One Pass. Estavam presentes representantes de empresas alemãs de mídia, incluindo a gigante Axel Springer, a maior da Alemanha e uma das maiores da Europa. Desde 2009, o Google já vinha planejando uma ferramenta para assinatura de conteúdo, em razão das experiências com o Google News. Agora, o One Pass surge em um momento de roubar território do recém-nascido plano da Apple.

Mas falemos do sistema da casa da maçã antes. A principal reclamação sobre o sistema da Apple foi o preço. A empresa de Cupertino recebe 30% de cada assinatura feita. Em troca, oferece o sistema e a infraestrutura relativos à distribuição de conteúdo e ao pagamento. É um preço alto, mas, em contrapartida, o serviço é bom e tem o respaldo de quem já vendeu mais de 160 milhões de dispositivos com o iOs, além de possuir uma App Store com mais de 60 mil aplicativos nativos para iPad, fora os para iPhone/iPod Touch.

Outra característica do sistema da Apple é que através dele a empresa editora de conteúdo não tem acesso direto à base de dados de assinantes. Estas informações ficam com a própria Apple. Somente se o usuário aceitar, pode fornecer seu nome, email e CEP para a editora. Para marcar presença em mais de um meio, as empresas podem utilizar um sistema de assinaturas através da Web, sem intermédio da App Store, mas, se isto acontecer, este deve ter valor igual ou maior ao da assinatura pela Apple, para não prejudicá-la.

Como era de se esperar, o sistema do Google tem uma face típica: é muito mais aberto. “Com o Google One Pass, as editoras podem manter contato direto com os seus clientes, e dar aos seus leitores acesso a conteúdos digitais através de websites e aplicativos móveis” (tradução livre), diz o post no Blog do Google. Aí já se tem duas diferenças básicas: a possibilidade de transitar entre diferentes plataformas digitais para o consumo do conteúdo, e a conexão direta de dados dos clientes para as empresas de conteúdo, o que acontece hoje em dia em um sistema de assinatura tradicional. Além disso, o percentual que ficará com o Google deve ser de 10%, mais em conta que os 30 da App Store. As transações acontecem através do sistema de compras Google Checkout. A arrancada parece ser forte também: eles não tiveram o buzz de um The Daily, mas o serviço já foi anunciado em sete países: Canadá, França, Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.

Em um primeiro momento, pelo menos, foi falado apenas de acesso a conteúdos via Web, e não através de aplicativos exclusivos. A companhia aposta assim no poder e na maleabilidade da Web para a distribuição de conteúdos. Não foi anunciado nada específico para o sistema Android, seja para celulares ou tablets, mas as inscrições funcionarão apenas nos dispositivos onde o sistema operacional permita este tipo de transação fora do seu mercado de aplicativos. Ou seja, principalmente o sistema Android.

No que diz respeito à Apple, há um fator importantíssimo que não está sendo questionado: através de seu sistema, ela tem controle não só sobre o valor, mas também sobre o conteúdo ofertado. Como já acontece em sua App Store, não entram aplicativos que possuam conteúdo adulto, nem que façam referência ao sistema Android, além de uma série de restrições. Com relação a conteúdo jornalístico, é importante observar de perto quais consequências estas regras podem trazer às publicações.

Na disputa do modelo de distribuição de conteúdo, cabe ao Google ir contra a enorme base de dados dfe usuários que a Apple já possui na manga e sabe usar. Não é só a facilidade da App Store e o sucesso do iPad que Steve Jobs quer vender às empresas de mídia: é também uma plataforma com 160 milhões de pessoas com seus cartões de créditos registrados, 90 milhões a mais que o PayPal.

A concorrência entre as duas reafirma a tendência de que não será uma plataforma única que nos trará notícias e informações nesta era digital. A coexistência e competição entre plataformas é constante e traz diversas opções para consumir conteúdos.


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