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Passado, presente e futuro da plataforma Android

Rodrigo

O sistema operacional móvel Android, usado em smartphones e tablets e desenvolvido pela Google, tem feito sucesso. Hoje mais aparelhos com ele são ativados do que iPhones, o que demonstra o poder de fogo da plataforma. O entusiasta de software livre Rodrigo Carvalho, na palestra Android, catedral de sucessos, veio ao fisl explicar a trajetória do sistema e o que devemos esperar para o seu futuro.

O Android surge como primeiro sistema operacional móvel de sucesso a incorporar código aberto. “Meu sonho era ter um celular que tivesse Linux, que eu pudesse modificar. O Android foi o primeiro a trazer o Linux móvel para as massas”, explica. Ele surgiu em 2008 e o primeiro aparelho a ser baseado nele foi o HTC G1. O código do programa, no entanto, só viria a ser aberto em 2009. Hoje, ele está nas versões 2.3, para celulares, e 3.0, para tablets.

Há muitas controvérsias, no entanto, em torno do Android. Ele é um sistema aberto que recebe críticas. “O seu desenvolvimento acontece dentro do Google, a portas fechadas. Ninguém externo consegue contribuir, nem os planos da plataforma são divulgados”, afirma Rodrigo. O caso do hacker Cyanogen é conhecido. Ele fazia modificações no sistema para que rodasse no seu HTC G1. O Google descobriu e alegou que ele estava infringindo códigos proprietários. O hacker começou então um movimento para criar substitutos livres a esses códigos.

A versão Honeycomb do Android, específica para tablets, ainda não teve o código liberado. A Google afirma que não o divulgará, porque esperam o lançamento da versão Ice Cream Sandwich, que vai ser unificada entre smartphones e tablets e, aí sim, teria o código aberto.

Assim, o Android usa, conforme Rodrigo, o sistema de desenvolvimento catedral, fechado, ao invés do sistema bazar, colaborativo, do qual o Linux é um bom exemplo. “Eles não usam bazar porque a concorrência no mercado móvel é muito grande. O mundo está numa transição do desktop pra mobilidade, e todos querem uma fatia desse mercado. A Open Handset Alliance, [união de empresas que apóia o Android], quer uma vantagem, quer ter o código antes”, relata o programador.

Mas mesmo com todas estas polêmicas, a fórmula tem feito sucesso. Os motivos são vários. Primeiramente, segundo Rodrigo, ele veio no momento certo. “Os fabricantes precisavam de um competidor para o iPhone, estavam perdendo mercado, assim como as operadoras. O Android era viável e chegou na hora certa”, constata. Por outro lado, mesmo que a Open Handset Alliance mantenha controle sobre o sistema, ela representa um grande respaldo a ele. Além disso, o fato de ter o Java como linguagem também facilitou sua difusão: “muitos criticam o Java, mas é a plataforma mais usada no mundo. Os desenvolvedores acham muito natural, conseguem fazer mais aplicativos. A plataforma é madura”, demonstra ele.

Mas o que esperar para o futuro do Android? A concorrência é muito acirrada no mundo mobile e tanto ele como os adversários tem vários pontos fortes e fracos. Os próximos Androids deverão enfrentar a próxima geração do iPhone (tratada atualmente como iPhone 5 ou iPhone 4S), o Windows Phone 7 unido com os aparelhos da Nokia, a plataforma MeeGo (que não se sabe se decolará ou não) e o webOS, no qual a HP tem investido muito. De acordo com Rodrigo, os defensores do software livre esperam principalmente que ele fique mais aberto. Além disso, pela sua forte capacidade de adaptação, o Android é o que tem mais capacidade de estar em modelos para todos os gostos, incluindo os populares. “A concorrência é forte, mas o sucesso do Android tem dado novos horizontes ao Linux e ao software livre no mundo mobile”, concluiu.

*Este post faz parte das reportagens que fiz na cobertura  do 12º Fórum Software Livre. Este é o link original.


O futuro da Web e o HTML5

Cecconi

30 de junho de 2011

O auditório se encheu na tarde do dia 30 de junho no fisl12 para a palestra sobre questionamentos constantes para quem lida com a Internet: O futuro da Web. Carlinhos Cecconi, analista do braço brasileiro do W3C (World Wide Web Consortium), concórcio mundial que regulamenta a Web, defendeu que o futuro passa pela linguagem HTML5, que tem grande potencial e é cada vez mais utilizada por desenvolvedores.

Carlinhos iniciou relatando a história da World Wide Web. Desde sua criação, em 1989, pelo físico britânico Tim Berners-Lee, ela nunca parou, agregando sempre novos recursos, com mais possibilidades. Naquele ano, Berners-Lee criou também a linguagem HTML, o protocolo HTTP e a identificação URI. Mais tarde, foram acrescentados o CSS e o JavaScript. Em 1994, surgiu o W3C , com o objetivo de integrar público, organizações filiadas e equipe própria, para desenvolver colaborativamente padrões internacionais para a Web. As metas do consórcio são: a Web para todos; a Web em qualquer dispositivo; a Web base de conhecimento; Web confiável e segura. Anualmente, a instituição faz uma conferência internacional, que, em 2013, pela primeira vez, acontecerá no Brasil, no Rio de Janeiro.

Basicamente, Cecconi defende que o que possibilita falar em um futuro da Web é o seu uso não apenas como repositório de informações, mas para exibição, automação e integração. Em outras palavras, é ter um sistema que consiga interpretar os dados. Se antes o conteúdo era fornecido por servidores e lido por browsers, hoje acontece mais um processo, o de reunir estas informações com mash-ups. Hoje, o futuro da Web é usar as informações como antes, hiperlinkando-as e significando-as, de modo que a máquina compreenda, e possa, assim, trabalhar de forma mais eficiente. Isto acontece através da linguagem HTML5, que possui recursos semânticos para construir páginas. Da chamada Web Semântica, considerada a evolução da Web Social e da Web de dados, parte uma nova relação entre usuário e Web.

Com algumas simples demonstrações do potencial do HTML5, ele impressionou o público. Com apenas duas linhas de código, é fácil criar formulários, legendar vídeos, entre várias outras possibilidades. Conforme Cecconi, o W3C voltou a se dedicar ao desenvolvimento da linguagem HTML em 2007, já que antes investia no XHTML. Hoje, todos os principais navegadores oferecem suporte ao HTML5, que já é considerado por muitos como um ótimo substituto para a tecnologia Flash.

Cecconi ainda compartilhou alguns links com dicas e tutoriais sobre HTML5. Os slides utilizados na palestra estão disponíveis aqui.

W3C Cursos

W3.org

WHATWG

*Este post faz parte das reportagens que fiz na cobertura do 12º Fórum Software Livre. Este é o link original.


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