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Quanto pesa a Internet?

Notícia interessante que vi ali no Neowin. Qual o peso de toda a Internet?

Bom, primeiro eles se basearam em um estudo do professor John Kubiatowicz, da University of California em Berkeley, que demonstra que um Kindle com a memória totalmente carregada pesa mais do que um Kindle totalmente vazio. Ele observou que um destes aparelhos guarda dados por aprisionar elétrons. Quando um livro é baixado para o e-reader, o número de elétrons permanece o mesmo, mas a energia usada para armazenar os dados aumenta. A partir da famosa equação de Einstein E=mc², que relaciona massa e energia, ele notou que,ao ganharem energia, os elétrons ganham massa. Assim, ele calculou que um Kindle com capacidade de 4gb totalmente cheio pesa um bilionésimo de um bilionésimo de uma grama, ou um atograma (0,000000000000000001g), mais que um inteiramente vazio.

Pois bem. A partir daí, o pessoal no canal de YouTube vsauce fez vários cálculos para tentar estimar o peso de toda a Internet. Contando que a rede é feita de algo entre 75 e 100 milhões de servidores operantes em todo o globo (e sem levar em conta as informações de computadores pessoais), eles chegaram à singela quantia de 50g. Mais adiante, eles estimam também que todos as informações na Internet, incluindo emails, vídeos, fotos etc. etc. etc. somam 0,2 milionésimos de uma onça.

Neste vídeo, ele conta em detalhes os passos de todo o raciocínio. Vale a pena!


Marco Civil da Internet e a cultura digital em discussão no fisl

Marco_civil

O publicitário João Carlos Caribé e o ativista das liberdades fundamentais na Internet Paulo Rená subiram a um dos palcos do fisl na tarde do dia primeiro para debater uma questão crucial na democracia brasileira nos últimos anos: o futuro do Marco Civil da Internet.

Para discutir o futuro, no entanto, é necessário conhecer presente e passado. O espírito que envolve o Marco Civil é o de tornar o Estado e o Poder Legislativo mais abertos para o uso da Internet no Brasil. Assim, ele faz parte de uma reação da sociedade contra o Projeto de Lei 84 de 1999, também conhecido como Projeto Azeredo, ou como AI-5 Digital. “Este projeto de lei faz uma abordagem penal da Internet, a enxerga como uma fonte de delitos. A proposta do Marco Civil é abrir os olhos do Estado e torná-lo mais permeável a outros argumentos, como a rede como espaço de expressão, comunicação, aprendizado etc.”, diz Rená.

Assim, o Marco Civil nasceu em 2009, no próprio fisl, quando o então presidente Lula, ao se encontrar com ativistas como John “Maddog” Hall, Richard Stallman e Sergio Amadeu, firmou compromisso de fazer uma legislação brasileira diferenciada para a rede. Conforme Paulo Rená, o Ministério da Justiça levou a ideia a sério e, após muitos estudos, a iniciativa saiu às ruas. O próprio Rená foi gestor do projeto, entre 2009 e 2010: “Basicamente, fizemos um texto de lei e o tornamos público perguntando às pessoas se, com ele, o uso que os cidadãos faziam da Internet continuava satisfatório e adequado”.

Caribé resumiu as virtudes do Marco Civil: “É um projeto feito para garantir as nossas liberdades. Ele tem, por exemplo, clausulas para garantir a neutralidade da rede. Nós sabemos que a rede tem que ser neutra, e sabemos que quem provê acesso à Internet não quer que ela seja neutra. O Brasil é um dos países mais criativos do mundo, temos que manter esse canal de expressão aberto”.

Além do Marco Civil, duas outras leis lutam por espaço na legislação brasileira, segundo os palestrantes: a Lei de Acesso à Informação, que estava no centro da recente discussão sobre a liberação de documentos sigilosos, e a Lei de Proteção a Dados Pessoais.

Rená e Caribé são unânimes. Para o futuro do Marco Civil, é preciso discussão e pressão. “Agora a Casa Civil deve ser pressionada para mandar o Marco Civil pro Congresso. Todo mundo está convidado a pressionar o governo para fazer isso. O público, quem está na Internet, quem vai ver o vídeo depois, todo mundo”, defende Rená, e acrescenta: “O Marco Civil daqui pra frente será o que a sociedade quiser. Se vocês se mexerem e cobrarem este será o futuro, se não, eu creio que nada acontecerá”.

Caribé abordou ainda o movimento Mega Sim, “filho-irmão” do movimento Mega Não (direcionado ao PL 84 e ao vigilantismo em geral na rede). Ele é uma força tarefa que propõe discutir temas importantes da cultura digital brasileira, tais como o Plano Nacional de Banda Larga, a inclusão digital, a liberdade de expressão na rede, além do próprio Marco Civil.

Por fim, coube um alerta: “O PL 84, AI-5 digital, não é o primeiro projeto de lei a afetar nossos direitos online. Leis do gênero são propostas desde 1991, antes de ter Internet no Brasil. A população tem que abrir os olhos para estas tentativas”, conclui Rená.

*Este post faz parte das reportagens que fiz na cobertura  do 12º Fórum Software Livre. Este é o link original.


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